Por Damila Soares
Com a pandemia gerada pelo coronavírus os diferentes sistemas de ensino foram afetados pela medida de isolamento social, estabelecida para não disseminar a contaminação e assim ajudar no combate à doença.
Na segunda quinzena de março foi decretado em muitos municípios do estado do Espírito Santo a suspensão das aulas nas redes públicas e privadas de ensino. Desde então, têm-se pensado em mecanismos para minimizar os efeitos na vida escolar dos estudantes e diminuir o prejuízo causados no processo de aprendizado pela interrupção das aulas.
Diante desse cenário de pandemia precisamos pensar novas possibilidades e, assim, somos desafiados a nos reinventar enquanto profissionais a fim de mantermos nossa atividade docente, mesmo que em espaços “não presenciais”, como sinaliza Boto (2020) precisamos ser inventivos e termos coragem para criar e experimentar novas possibilidades, rompendo com antigos pressupostos.
As escolas precisam se ajustar de modo a preservar o vínculo com os alunos, pois, para além a relação professor/aluno, do processo de ensino e aprendizagem, cotidianamente são criados laços entre os participantes do contexto escolar fundamental na constituição pessoal e humana desses indivíduos.
Para que os estudantes mantenham o mínimo de uma rotina de estudo em suas casas e até como uma forma de minimizar os danos causados em sua aprendizagem, muitas escolas têm optado por desenvolver atividades por meio de plataformas digitais, no entanto, ao tratarmos desse uso na educação básica, principalmente na educação infantil e no ensino fundamental precisamos considerá-la sim como uma possibilidade, mas sem ignorar os desafios presentes.
Quando pensamos nos alunos, nos confrontaremos com alguns impasses, visto que muitos ainda não possuem autonomia suficiente para realização dessas atividades, necessitando de um acompanhamento mais preciso. Há de se considerar também que muitos não estão preparados para receber esse modelo de ensino, uma vez que requer acesso a aparelhos digitais e internet, o que não é a realidade de muitas famílias, principalmente dos estudantes das redes públicas, outras quando possuem é de maneira precária, como por exemplo, famílias que tem acesso à internet através de um celular e de um pacote limitado de dados.
[...] Se não olharmos para eles, corremos o risco de favorecer uma segregação social que é, sob todos os aspectos, inadmissível. É preciso, por definição, que tenhamos por princípio a incorporação de todos os nossos alunos ao nosso projeto de educação (BOTO, 2020, p. 2).
Ao nos referimos as subjeções relacionadas a família, não podemos desconsiderar as diferentes situações, como por exemplo: pais e/ou responsáveis que estão trabalhando em home office, que estão com suas rotinas de trabalhos presenciais inalteradas e ainda outros não tem o preparo pedagógico para auxiliar os estudantes na realização das atividades. Não queremos desconsiderar o caráter profissional da docência, e limitar o processo de aprendizagem apenas a assimilação de informações. Vale destacar também questões relacionadas aos aspectos econômicos, emocionais e psicológicos, pois com a situação atual, tem aumentado o número de famílias enfrentando dificuldades financeiras pela impossibilidade de trabalhar e/ou perda do emprego, pessoas sofrendo crises de ansiedade, além de outros que foram contaminados pelo vírus e/ou sofrem de problemas de saúde.
Ao considerar as plataformas digitais como possibilidade de permanência do aluno no processo educativo, mesmo em tempo de pandemia, precisamos ponderar sua peculiaridade, considerando que tenha caráter complementar e não obrigatório. Ao assumir esse caráter completar ressaltamos que não poderemos ofertar o ensino de conteúdos novos pela via tecnológica, a fim de que não acha prejuízos na aprendizagem. Consideramos os recursos tecnológicos como meios para potencializar o processo educativo. Não queremos com isso manter a normalidade de um ensino a distância, torná-lo algo definitivo, buscamos apenas nesse período projetarmos ações com o auxílio das ferramentas existentes.
Referências
BOTO, Carlota. A educação e a escola em tempos de coronavírus. Jornal da USP, Universidade de São Paulo, p. 1 - 3, abr. 2020. Disponível em:
<https:// https://jornal.usp.br/artigos/a-educacao-e-a-escola-em-tempos-de-coronavirus/>. Acesso em: 10 maio 2020.
Damila Soares de Carvalho é Professora de Séries Iniciais do Ensino Fundamental, Pedagoga, Mestre em Ensino, Educação Básica e Formação de Professores pela Universidade Federal do Espírito Santo.