11.06.2019
1Coríntios 9.16-27:
Por que é baixo o grau de participação dos membros da Igreja nas suas atividades, especialmente naquelas fora das celebrações litúrgicas?
Para a maioria das funções que ela desenvolve há escassez de recursos humanos disponíveis, embora sobrem nas listas de membros e nos bancos durante os cultos.
Chego a pensar que bom seria que não houvesse Igreja. Estaríamos todos em casa ou em alguma atividade de lazer, fruindo a vida que Deus nos deu, em lugar de ter o compromisso de frequentar cultos. Afinal, nossa salvação já está garantida, uma vez que somos parte do Reino de Deus, desde quando nos arrependemos e cremos no Evangelho…
Quando esta visão começa a nos seduzir, precisamos ir às ultimas consequências. O apóstolo Paulo nos ajuda nesta reflexão.
A IGREJA COMO PROJETO DE JESUS
Paulo ensina que temos a obrigação de pregar o Evangelho (v. 16). A palavra é muito dura para os termos modernos. A ideia soa ainda mais estranha quando o apóstolo fala que lhe era um encargo (v. 17; cf. 4.1). Este termo ("encargo"; "responsabilidade de despenseiro") lembra o intendente romano, que era um escravo que não recebia qualquer salário algum por seu trabalho. Se somos escravos, não há pagamento a reclamar. O salário de Paulo era não receber nenhum salário...
Esta obrigação decorre da nossa própria salvação. O "ai de mim" é menos medo do castigo e mais um ardor que vem de dentro. O peso é para quem já experimentou o Evangelho. Fazer conhecida a graça é uma tarefa de todos que já a conheceram. Afinal, o que está em jogo é o destino eterno dos homens (v. 22).
Na obra da salvação, somos cooperadores de Deus (v. 23). A coroa é a salvação dos outros, a mesma que a ação de outros permitiu que alcançássemos. O apóstolo faz uma comparação entre o atleta dos jogos ístmicos (realizados nas cidades costeiras do mar Egeu), disputados três vezes ao ano, e o atleta cristão. Aquele corria por uma medalha, que era uma coroa de pinho, que não durava até a próxima competição. Este corria por uma coroa eterna. Muitos de nós preferimos as medalhas humanas, que são corroídas pelo tempo, em lugar de medalhas divinas, feitas para durar a duração da eternidade.
O PROJETO DE JESUS
Esta é a tarefa da Igreja, sobre a qual devemos fazer um necessário interlúdio.
1. A Igreja é o projeto de Jesus para ligar e desligar pessoas no céu (Mateus 16.19). Liga-se no céu quem ouve o Evangelho e responde ao seu convite. No entanto, como as pessoas vão ouvir o Evangelho se ninguém lhes anunciar? A geração dos pós-igreja dirá que a tarefa da proclamação do Evangelho é pessoal e que cada um de nós a fará sem a Igreja. Em teoria, o raciocínio está correto. Na prática, mesmo ouvindo dominicalmente que precisamos evangelizar, quantos o fazemos? Sem a Igreja, Deus não teria com quem contar para arrebatar pessoas para o seu regaço, porque o Mal triunfaria "de passagem" (como diziam os antigos narradores do esportivos do rádio...) A Igreja é, portanto, o lugar onde somos lembrados de nossa missão pessoal e intransferível.
2. A Igreja é o projeto de Jesus para manter as pessoas ligadas no alvo da vida, que é crescer em direção à perfeição, que é ter a mente de Cristo, que é pensar nas coisas que são de Cima e que é ter a estatura de Jesus Cristo. Neste mister, ela compete com uma série de outras organizações, formais e informais, que buscam nos seduzir com a mensagem contrária: o homem é a medida de si mesmo e deve viver para realizar seus desejos, porque a sua liberdade é o seu maior bem, liberdade que, sabemos, Jesus torna plena. A Igreja, portanto, é o projeto de Jesus para permitir que as pessoas sejam estimuladas a viver da Sua Palavra no caminho da maturidade doutrinária e emocional.
3. A Igreja é o projeto de Jesus para sustentar as pessoas, por meio do interesse de uns pelos outros, interesse manifesto no amor fraternal e na oração intercessória. Eu não saberia viver num mundo em que ninguém orasse por mim e que eu não orasse por ninguém. Este é o mundo sem Igreja. Não consigo imaginar um cristianismo em que eu orasse apenas por mim ou, no máximo, por minha família. Isto não seria cristianismo.
A Igreja é um projeto de Jesus. Ou será que Ele estava errado? Paulo achava que não, primeiro porque sua vida foi transformada por um encontro pessoal com Jesus, educado pela Igreja, a qual dedicou toda a sua vida, com a fúria típica dos visionários. Paulo não era apenas um homem; Paulo era um homem-com-uma-visão. Sua visão era o mundo todo alcançado pelo Evangelho; era o mundo todo dobrando seus joelhos diante de Deus; era o mundo todo confessando que Jesus Cristo é o Senhor. Por esta visão, Paulo combateu ao longo de sua vida. O apóstolo sentia que se não vivesse de modo coerente com sua visão e deixasse de anunciar o Evangelho, ele seria um miserável.
PARA SERMOS CRISTÃOS
Nós não vivemos para a glória da Igreja; antes, vivemos para o louvor da glória de Deus. No entanto, experimente dar louvor a Deus fora da Igreja. Aos poucos, você vai se esquecendo do louvor. E ao fim, vai esquecer até mesmo de Deus.
Nossa prioridade na vida não é a Igreja, mas Deus. No entanto, experimente fazer de Deus a sua prioridade fora da Igreja. O resultado será uma vida centrada em si mesma.
Se você está cansado das lutas da vida, trabalhe para Cristo.
Se você está cansado das críticas recebidas, trabalhe para Cristo.
Quando você estiver perto de achar que participar ou não participar é a mesma coisa, pregar ou não pregar o Evangelho não faz diferença, envolver-se ou não se envolver na Igreja…
Imagine um pai cujo filho não é crente.
Imagine um filho cujo pai não é crente.
Imagine um marido cuja esposa não é crente.
Imagine uma esposa cujo marido não é crente.
Pense naqueles que nunca tiveram oportunidade de entrar numa igreja.
Pense naqueles nunca quiseram entrar numa igreja, embora convidados.
Pense naqueles que um dia já fizeram parte de uma igreja.
Pense naqueles que ainda estão na igreja mas não acreditam que tenha algum significado.
Sentimos prazer em ver a alegria em rostos ontem tristes?
Sentimos prazer em ver pessoas se sentindo incomodadas pela Palavra de Deus?
Sentimos prazer em ver pessoas voltando para Deus?
Sentimos prazer em ver pessoas aceitando a Cristo como Salvador e Senhor?
Então, somos cristãos.
Adaptado
www.prazerdapalavra.com.br
Sônia Mara Costa
Ministra de Ensino