Por Alécia Louzada
Esta articulação é descrita como a mais complexa do corpo humano, localiza se próxima ao ouvido e é responsável pela abertura e fechamento da boca. A ATM é formada pelo côndilo da mandíbula, osso temporal, ligamentos acessórios, colaterais e discomaleolar, ligamento temporomandibular, cápsula articular, disco, zona bilaminar, músculos plerigóideos laterais, vasos e nervos.
Um dos grandes motivos que leva o indivíduo a procurar a ajuda de um profissional de saúde é a dor: quanto mais tempo o indivíduo experimenta a sensação dolorosa, maiores são as alterações que ocorrem no complexo sistema de condução da dor. Assim como toda patologia, a síndrome da ATM deve ser tratada logo que diagnosticada.
Quando temos alguma alteração óssea ou muscular desta articulação, estamos diante de uma disfunção da ATM, ou seja, de uma patologia.
Principais Patologias da ATM
• Contratura muscular
• Mialgia não inflamatória
• Mioespasmo
• Mialgia de contração tônica
• Dor miofacial
• Desordens do complexo côndilo-disco
• Desvio de disco com redução
• Desvio de disco sem redução
• Deslocamento de côndilo (para cima, para baixo, mesial ou discal)
• Desordem por presença de neoplasias
• Má-formação das estruturas articulares (congênitas ou de desenvolvimento)
• Subluxação
• Luxações
• Aderências
• Sinusite
• Capsulite
• Retrodiscite
• Hipermobilidade de ligamentos
• Artrite
• Artrose
Principais Sintomas do Paciente com DTM
• Pacientes que vivem sob tensão e ansiedade
• Pacientes com depressão
• Apresentam dentes ausentes ou tortos
• Má oclusão (classe III, classe II, mordidas cruzadas ou abertas)
• Bruxismo (range ou aperta os dentes)
• Utilizam próteses fixas ou removíveis
• Hábitos orais inadequados (roer unha, pressionar a língua contra os dentes, mastigar alimentos de um único lado, mascar chicletes)
• Respiradores bucais
• Crianças hiperativas
• Maus hábitos posturais (anteriorização da cabeça e dos ombros, cifose dorsal aumentada, etc.)
• Pacientes que sofreram algum trauma acidental ou cirúrgico
• Distúrbios neurológicos
• Doenças degenerativas
• Distúrbios do sono (insônia)
• Pacientes que apresentam alterações congênitas, comprometimento circulatório ou articular
sistêmico).
Pacientes Mais Propensos
• Dores de cabeça
• Estalos articulares para abrir e fechar a boca
• Tensão ou dor na musculatura cervical, pescoço, ombros e cintura escapular
• Cansaço ou rigidez na face
• Dificuldade para mastigar alimentos mais duros
• Dificuldade de abrir a boca (abre pouco)
• Irritabilidade
• Dor, pontada ou zumbido no ouvido
• Sensação de ouvido entupido
• Dores nos olhos sem causa oftalmológica
• Dentes doloridos pela manhã
• Dores de dente sem causa aparente principalmente em molares e pré-molares superiores
• Hipersensibilidade a barulho ou hipersensibilidade visual
• Dormência, calor ou rubor na face
• Edemas na região periauricular (próxima ao ouvido)
• Dores embaixo da mandíbula, refletindo na garganta como se fosse faringite.
• Sensação de nó na garganta, rouquidão
• Tonturas ou vertigens
• Distúrbios visuais
• Desordens de Dor Intracraniana
• Neoplasma, aneurisma, abcesso, hemorragia, hematoma e edema.
• Transtornos de Cefaléia Primária (Transtornos Neurovasculares)
• Enxaquecas, variantes da enxaqueca, cefaléia em salvas, hemicrania paroxística, arterite craniana, carotidinia, cefaléia tipo tensão
Diagnóstico Diferencial
O núcleo do trato espinal do trigêmeo recebe impulsos convergentes de outros nervos, os cranianos V, IX e X, bem como os nervos cervicais, isto explica a relação neurofisiológica de muitas fontes de dores referidas a partir da região cervical para a cabeça e face. Para tratarmos uma dor na cabeça, face ou pescoço, é necessário identificar os trajetos nervosos do estímulo doloroso e os agentes químicos e hormonais envolvidos no processo da dor.
O primeiro passo para tratar é o diagnóstico e este deve ser sempre diferencial e minucioso. Nem tudo que dói na face é DTM. No processo de diagnostico envolve incluir desordens específicas que possam ser responsáveis por cada uma das queixas presentes do paciente. Estabelecer um diagnóstico correto em pacientes com dor orofacial é particularmente difícil, devido a complexa interação de fatores somáticos e psicossociais muitas desordens tem sinais e sintomas semelhantes.
Dor de Cabeça Pode Vir da Boca
O tipo mais comum de dor de cabeça é o que chamamos de “dor tensional episódica”, causada por falta de sono, estresse, cansaço, etc. Esse tipo de dor pode ser tratado com analgésicos, e passa rápido, mas existem dores de cabeça que são sintomas de problemas de saúde. Uma delas é a enxaqueca, que é causada por uma disfunção na química do cérebro. Outra é a cefaléia em salvas, que é causada pela inflamação do nervo trigêmeo.
E há muitas mais, como a dor da sinusite e da meniginite, por exemplo. Para essas dores, o remédio analgésico não só faz o efeito esperado, como acaba criando uma espécie de efeito rebote: ao acostumar o cérebro a não produzir a endorfina, que é um analgésico natural, acaba aumentando a dor.
Por isso não espere mais: se você sofre de dor de cabeça com freqüência, procure o médico. Mas, você sabia que cerca de 38% dos casos de dor de cabeça crônica são causados por disfunções da articulação temporo-mandibular (ATM), isto é, da região da boca e do maxilar?
Essa musculatura, quando exercitada de maneira errada, pode provocar dores de cabeça fortes, além de prejudicar todos os movimentos da boca: a fala, a respiração, a deglutição e a mastigação. Além do mau uso da musculatura no desempenho dessas funções, hábitos noturnos, como ranger ou apertar os dentes, tem-se destacado como uma importante causa de dores de na cabeça, no pescoço e nos músculos da face.
O deslocamento de côndilo para posterior também leva a dores de cabeça por apertamento de vasos e nervos na região de zona bilaminar. E a anteriorização da mandíbula também pode levar a cefaléias por estiramento de músculos e ligamentos.
Não Confundir DTM Com:
• Desordens de Dor Neurogênica
• Nevralgias paroxísticas, nevralgias do trigêmeo, glossofaríngeo, nervo intermédio, laríngico
superior.
• Desordens de Dor Contínua
• Síndromes de dor deaferente (neurite periférica, nevralgia pós-herpética, nevralgia pós-traumática e pós-cirúrgica)
• Dor mantida pelo simpático
• Desordens de Dor Intra-oral
• Polpa dentária, periodonto, tecidos mucogengivais e língua
• Estruturas Associadas
• Orelhas, olhos, nariz, seio paranasal, garganta, linfonodos, glândulas salivares e pescoço
• Eixo II, Transtornos Mentais
• Trantornos somatoformes, síndromes dolorosas de origem psicogênica.
Avaliação da Sintomalogia Ocular em Pacientes Com DTM
A sintomatologia oftalmológica também pode estar presente, como: fotofobia, escurecimento da visão, espasmos dos músculos do olho, visão nublada, lacrimejamento, edema palpebral, hiperemia conjuntival, queimação e dor orbital. Agerberg; Inkapööl citam que os olhos estão entre os locais mais comuns de dor (20%), assim como a face, garganta e pescoço.
A localização anatômica das órbitas e globos oculares os predispõem a lesão em casos de traumas maxilofaciais. Dor dentro e atrás do olho pode ser produzida por deslocamento da ATM, podendo causar fotofobia.
"Trigger points", ou pontos álgicos no esternocleidomastóideo podem causar dor dentro, ao redor e baixo dos olhos. Nos músculos cervicais posteriores, na área supra-orbital. No músculo occipitofrontal provocam dor reflexa atrás do olho. A palpação de pontos de gatilho no músculo masséter e temporal pode causar dor referida supra-orbital. Dor no músculo pterigóideo lateral pode se refletir para a região infraorbital.
Apesar da literatura se mostrar deficiente no que se refere a uma explicação da correlação entre DTM e a sintomatologia oftalmológica, a dor nos olhos e ao redor deles é relativamente comum e, a despeito de poder ser primária ou referida, raramente é o resultado de estímulos nocivos originados nos olhos, músculos extra-oculares ou no nervo óptico. Isto porque as funções sensitivas, nociceptivas e visuais das estruturas oculares não são paralelas. Existem terminações nervosas nociceptivas nos músculos extraoculares, na bainha dural do nervo óptico e na periórbita que produzem a sensação de dor quando estiradas.
Segundo Okeson a presença de dor profunda constante gera um efeito excitatório central. Quando este tipo de dor constante é sentida, o estímulo aferente convergido para o Sistema Nervoso Central (SNC) afeta outros neurônios. O resultado será um avermelhamento ou embranquecimento dos tecidos envolvidos. Os pacientes se queixam de pálpebras inchadas ou olhos secos.
Alécia Silva Longo Louzada é especialista em Dor Orofacial e DTM pelo Conselho Federal de Odontologia, membro da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor, membro da Sociedade Internacional para Estudo da Dor (IASP), membro da Sociedade Brasileira de Cefaléia, Especialista em Ortopedia Funcional dos maxilares, Especialista em Disfunção Temporo Mandibular e dor Orofacial Mestre em Ortodontia.