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Neuralgia Trigeminal Simulando a Síndrome de Dor e Disfunção Miofascial

Por Alécia Louzada

 

 

A neuralgia trigeminal (NT) denominada também por tic doulourex é uma das piores dores que acomete a humanidade. Caracteriza-se por uma dor do tipo choque elétrico, ou em queimação, geralmente unilateral, com duração de segundos, que se limita ao território do nervo trigêmeo. Ocorre preferencialmente em mulheres acima dos 50 anos de vida, sendo o lado direito predominante. ANT é desencadeada por estímulos tácteis não dolorosos, como escovar os dentes, lavar e enxugar o rosto, fumar, assoar o nariz, fazer a barba. Pode também ser disparada por movimentos mandibulares, faciais, ou por exposição ao vento que estimulam os pontos gatilho neurálgicos. Tais pontos podem se localizar na porção lateral da sobrancelha (divisão oftálmica do trigêmeo), no lábio superior, asa do nariz, gengiva e dentes superiores, palato duro, próximo ao forame incisivo, ou palatino maior (divisão maxilar do trigêmeo), gengiva e dentes inferiores, porção lateral da língua (divisão mandibular do trigêmeo).

 

Quando estiver presente tal quadro clínico, deve-se pesquisar através de técnicas de imagens, como ressonância magnética nuclear, a presença ou não de uma causa para a NT. Essa dor facial pode ter como etiologia uma compressão vascular de um dos seus ramos, a presença de uma neoplasia benigna ou maligna, malformações arteriovenosas anomalias de base de crânio e, eventualmente, esclerose múltipla.

 

Ocasionalmente, um dos ramos do trigêmeo pode estar envolvido, como o aurículo temporal, ramo da terceira divisão, produzindo otalgia e dor temporomandibular. Deve-se considerar no diagnóstico diferencial a odontalgia de terceiro molar superior, ou inferior, com cárie, incluso, ou semi-incluso, neuralgia do intermédio, do glossofaríngeo, síndrome de Eagle, de Ernest e raramente a neuralgia do laríngeo superior.

 

A dor mastigatória do tipo miofascial pode ser confundida com a dor neuropática, principalmente quando a última envolve o ramo mandibular do trigêmeo. A primeira se caracteriza por pontos gatilho miofasciais (PGM) que produzem um padrão de dor local ou referida. Podem também estar presentes fenômenos autômicos, como sudorese, lacrimejamento, rinorréia, hiperemia facial, entre outros. O diagnóstico se estabelece frente a anamenese e ao exame clinico propriamente dito. O meio mais empregado para identificar os PGM é o de palpação, desde a origem do músculo até a sua inserção, excetuando os músculos pterigoideo medial e lateral(com suas duas cabeças, superior e inferior), cujas origens se processam no osso esfenoide, consequentemente, impossíveis de ser examonados. Dessa maneira, há necessidade de se estabelecer teste funcionais para cada um deles.

 

Como recursos terapêuticos adicionais, pode-se empregar o spray vapocolante de fluormetano, quando existir vários pontos miofasciais em um ou mais grupos musculares e/ou associar a tal técnica o bloqueio analgésico local com cloridrato de lidocaína a 1%ou bupivacaína 0,5%.

 

A neuralgia trigeminal (NT), frequentemente, apresenta também pontos gatilho, porém neurálgicos, sensíveis ao leve toque e não à palpação. Encontram-se localizados no território do trigêmeo, sendo que sua estimulação, por meio de atos funcionais diários, pode desencadear ou exacerbar a dor presente. A presença de tais pontos sensíveis é um dos achados mais característicos da NT.

 

Para que se possa realizar o diagnóstico diferencial, deve-se conhecer as características clinicas de cada uma dessas. A carbamazepina, um analgésico e anticonvulsivante, é o medicamento base empregado no tratamento da neuralgia do trigêmeo. Os seus efeitos colaterais incluem sedação, náusea, vertigem. Ataxia, agranulocitose e anemia.

 

A parte mais importante do tratamento é o próprio diagnóstico. Para que possa realizá-lo de forma adequada, deve-se considerar, basicamente, a localização, a duração e a natureza da dor. Os exames complementares não devem sobrepor a avaliação clínica global, pois a mesma é soberana, mesmo em se tratando de ressonância magnética nuclear. Achados ocasionais não necessariamente necessitam de tratamento todavia deve-se considerar a possibilidade de encontrar uma neoplasia intracraniana em pacientes com dor orofacial e dependendo da sua localização e dimensões estabelecer-se uma conduta cirúrgica associada.


 


 

 

 

Alécia Silva Longo Louzada é especialista em Dor Orofacial e DTM pelo Conselho Federal de Odontologia, membro da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor, membro da Sociedade Internacional para Estudo da Dor (IASP), membro da Sociedade Brasileira de Cefaléia, Especialista em Ortopedia Funcional dos maxilares, Especialista em Disfunção Temporo Mandibular e dor Orofacial Mestre em Ortodontia.

 

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