TV PIBCI

Papo com a Galera


11.02.2019

O Messias de Bolso

 

 

(Mt 11.2-6)

João, ao ouvir na prisão o que Cristo estava fazendo, enviou seus discípulos para lhe perguntarem: "És tu aquele que haveria de vir ou devemos esperar algum outro? "Jesus respondeu: "Voltem e anunciem a João o que vocês estão ouvindo e vendo: os cegos vêem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e as boas novas são pregadas aos pobres; e feliz é aquele que não se escandaliza por minha causa".

É muito próprio do ser humano trazer à tona a realidade de suas convicções e a produção de sua experiência existencial para o debate publico. Contudo, é necessário suspender o juízo e ser o mais sensível as realidades que o cerca. Como por exemplo; A leitura histórica e a produção do inconsciente coletivo, a consciência do propósito e que o resultado não se limita a função do indivíduo.

 

Assim como foi designado a Moisés a produção de cinco livros- o pentateoco- no velho testamento, Mateus estrutura o seu texto em cinco partes, tendo cada uma delas a sua conclusão (Mt 7.28/Mt 11.1/Mt 13.53/Mt 19.1/Mt 26.1).

 

O texto proposto é o inicio da terceira parte, na estrutura do livro Mateus e já propõe a crise de um individuo que tem função singular da revelação do Messias. João Batista, o homem profeta, o legitimo sumo sacerdote e por ser aviltado em seu sacerdócio se torna a voz que ecoa no deserto.

O homem que assim como Jesus, divide a história, pois o seu ministério profético é o eixo de passagem da lei para a graça, pois ele é o maior entre os profetas na velha aliança (é o responsável para sinalizar o cumprimento de todas as profecias, Jesus) e o menor entre os do Reino, pois interpretava a existência a partir da lei (Mt 11.11).

 

João batista está preso. Todas as suas convicções foram colocadas sob júdice. Como judeu, recebera informações sobre o messias, que viria tomar das mãos dos opressores de Israel o domínio e começaria a reinar com justiça e paz. Mas, para haver justiça e paz, no conceito humano, é preciso fazer guerra, usar a força para tomar o poder. Por isto, João vai dizer aos desafetos, que o machado já está na raiz das arvores e as que não produzirem frutos bons serão cortadas e lançadas no fogo-(Mt 3.10). Só que o tempo passa e Jesus demonstra seu poder, mas não para tomar o poder político, mas para dar forma de vida verdadeira aos humanos que precisam. “Os cegos vêem, os surdos ouvem...” (Mt 11.4).

 

A psicologia de João, neste momento, está sendo gerida por sua ambivalência existencial no pecado, pela relativização no fator cultural e os questionamentos gerados pela circunstancia. João batista não era o único que tinha este pensamento, mas esta realidade de pensamento foi plantada ao longo dos anos no inconsciente da coletividade judaica.

 

Desde que nascera João, o batista tinha dentro de si um senso de propósito existencial. Isto fica bem claro quando sua mãe Isabel se encontra com Maria, mãe de Jesus, ambas grávidas, e, João vibra no contato com o messias (Lc 1. 41). Ele vai se desenvolvendo e esta realidade fica, cada vez, mais latente em sua vida. Contudo, é muito comum em homens que desempenham funções de grande valor no reino ser confrontado pela vulnerabilidade humana, gerada pelo antagonismo no pecado e a sensação de incoerência de um Deus poderoso que não sustenta e nem protege os que o serve.

 

Esta sensação fica notória nos questionamentos de alguns profetas que serviram ao Deus altíssimo e sentiram o gosto amargo de um suposto abandono. Jeremias no capitulo vinte de seu livro está exposto a zombaria de todos, ninguém o respeita e esperam o momento certo pra acabarem de vez com ele. Debaixo desta sensação Jeremias amaldiçoa o dia de seu nascimento. O mesmo acontece com Elias, após vencer os profetas de Baal, e, Jezabel prometer matá-lo. Elias se deprime ao ponto de dizer: “Já basta, Senhor! Tire a minha vida, não sou melhor que os meus antepassados que já morreram!” (1 Rs 19.4).

 

O patriota Jonas fica indignado com Deus, pois é tardio em irar-se e cheio de misericórdia com um povo mau, como os ninivitas. (Jn 4.2). O próprio Cristo em seu momento derradeiro sentiu a, aparente, sensação de abando do Pai, quando exclama: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes!”

 

João, os profetas e todos os que se encontram na dimensão humana, vivem momentos de calamidade, fruto da contingência de uma raça caída e sente que Deus não vai resolver a sua necessidade. O que resta a fazer é gritar de angustia, e na angustia a certeza de experimentar o que é real e verdadeiro na vida, o cumprimento da vontade de Deus! Que não é visível aparência, que não está limitada em nenhum individuo, por mais relevante que seja. Contudo, plenifica o homem. Porque é boa, perfeita e agradável.

 

No Brasil, muitas pessoas têm a esperança de que individuo x ou y, com suas funções e caricaturas, resolvam os problemas de toda a nação. Muitos dizem que Deus enviou “este ou aquela” candidata para responder o questionamento e necessidade de cada um. Eu digo: “Deus não vai fazer isto!” Não fez isto com João Batista. O messias, enviado de Deus, não cabe no bolso de cada conveniência. Ele não se limita as nossas vontades e preferências. Ele é Rei de paz e justiça, sim! Mas, não da justiça humana. Ele é rei de um reino que não tem fim. Suas verdades são superiores as nossas realidades.

 

Podemos até nos decepcionar com Jesus, o messias. Pois, Ele não resolve os nossos dilemas sociais e políticos. Ou, podemos confiar que ele nos alcançou por amor. Tornou-nos gente de verdade. E, a partir deste amor o governo de Deus vai se estabelecendo no caos e o processo de justiça e paz vai eclodindo de dentro para fora. E, aquilo que parecia ser essencial fora se torna insignificante dentro, pois não mais nos atinge. Pois, o que é essencial dentro tomou forma de vida e vida de um ser humano de verdade. A vida de Jesus, O CRISTO!

 


 

 

 

 

Pr. Manoel Domingues

Diácono da PIBCI

 

 

 

 

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