11.03.2020
Texto Básico: Daniel 5:1-31
Texto Devocional: 1Samuel 2:1-10
Texto Chave: Apocalipse 11:15: “O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos.”
Leia a Bíblia diariamente:
Dia |
Texto |
Segunda |
Daniel 5:1-8 |
Terça |
Daniel 5:9-17 |
Quarta |
Daniel 5:18-31 |
Quinta |
Ester 1:1-22 |
Sexta |
Mateus 22:1-4 |
Sábado |
Lucas 15:11-24 |
Domingo |
Salmo 33:1-22 |
Na Bíblia há muitos banquetes. Cada um exibe características muito interessantes, que refletem a cultura do país onde são realizados. Os relatos mostram o motivo por trás de cada celebração, e os efeitos posteriores na vida dos participantes.
l. Banquetes na bíblia
1. Antigo Testamento
a. Isaque. "Isaque cresceu e foi desmamado. Nesse dia em que o menino foi desmamado, deu Abraão um grande banquete" (Gn 21.8). O pai, já centenário, quis celebrar o nascimento e bom desenvolvimento do filho prometido. Na festa estavam presentes também Ismael, filho de Abraão e da escrava egípcia Agar. Sara viu que o filho de Agar caçoava de Isaque, e logo exigiu que Abraão expulsasse Agar com seu filho. Deus estava atuando nisso tudo e garantiu ao patriarca que Ismael seria protegido e teria uma boa descendência.
b. Labão. Um banquete foi feito por Labão para prestigiar o casamento de Jacó com sua filha. Outra vez houve problema: Jacó pensava que se casaria com Raquel, mas foi enganado recebendo Lia (Gn 29.22-28).
c. Sansão. Este quis se casar com uma mulher dos filisteus, contra o conselho dos pais. Foi nessa ocasião que, descendo para se casar com ela, matou um leão novo. Tempos depois, achou mel no leão morto e fez o enigma famoso: "Do comedor saiu comida, e do forte saiu doçura" (Jz 14.14). Chegando ao povoado dos filisteus, “fez Sansão ali um banquete; porque assim o costumavam fazer os moços" (Jz 14.10). No banquete propôs o enigma aos trinta companheiros. Estes só conseguiram decifrá-lo porque a mulher traiu. O problema resultante foi que Sansão teve que pagar a aposta, saiu de lá com grande raiva e, por cima, a mulher foi dada a outro homem (Jz 14.20).
d. O rei Assuero. Na Pérsia antiga, o rei Assuero deu um grande banquete. Ele, "no terceiro ano de seu reinado, deu um banquete a todos os seus príncipes e seus servos, no qual se representou o escol da Pérsia e Média, e os nobres e príncipes das províncias estavam perante ele. Então, mostrou as riquezas da glória do seu reino e o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, por cento e oitenta dias" (Et 1.3-4). O rei queria demonstrar a própria grandeza. Beberam muito vinho, costume usual entre os persas. Nesse banquete também houve problema. O rei, provavelmente bêbado, ordenou à rainha Vasti que viesse à sala de banquete dos homens para que todos vissem a beleza dela. E ela se recusou. Deposta como rainha por isso, foi substituída pela judia Ester. E todos sabemos como Deus usou Ester para salvar a vida dos judeus, nesse grande império, no que teria sido um dos maiores ataques antissemíticos da história.
Como Deus atuou por meio de todas as festas mencionadas! Até os problemas que surgiram foram usados para executar os Seus propósitos.
2. Novo Testamento
No Novo Testamento não faltam banquetes, na vida real e nas parábolas.
a. Mateus. Quando Jesus chamou Mateus (Levi) para segui-Lo, ele imediatamente abandonou tudo e seguiu o Mestre. "Então, lhe ofereceu Levi um grande banquete em sua casa; e numerosos publicanos e outros estavam com eles à mesa" (Lc 5.29). O novo discípulo usou o banquete para que os que mais necessitavam do Salvador se encontrassem com Ele (Lc 5.31-32).
b. Simão, o fariseu. Outro banquete teve motivo menos nobre. Simão, o fariseu, convidou Jesus para jantar. Sem dúvida queria dar um show porque estes eram geralmente eventos públicos. Mas se esqueceu da cortesia que o anfitrião deveria usar para com os convidados. Com a ação da mulher "pecadora", mas perdoada, o Senhor aproveitou o momento para ensinar o valor inestimável do perdão de Deus (Lc 7.36-SO).
c. Banquetes nas parábolas. O nosso Deus gosta de festas quando são corretamente motivadas e conduzidas. O irmão mais velho do pródigo se espantou quando chegou e achou a casa em festa, música, danças o cheiro do bezerro assado (Lc 15.25-27). Quando um pecador se arrepende, o próprio Pai faz festa, e todo o céu com Ele, “ha alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende" (Lc 15.10NVI).
Daniel para hoje →
• Todos somos convidados para o maior de todos os banquetes: o casamento do Filho de Deus com a Sua noiva, a igreja. A entrada é gratuita. Há, porém uma condição. Só quem usa a veste nupcial providenciada grande anfitrião pode ali permanecer. Só quem depende da justificação pelo sangue de Cristo pode participar (Mt 22.2-13).
• Você usa algum evento relacionado à comida (café, lanche, almoço, jantar, etc.) para aproximar-se de seus vizinhos ou colegas de trabalho com o fim de evangelizá-los? Quem participa dos seus banquetes chega a conhecer melhor a Deus?
II. O banquete de Belsazar
1. "O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus grandes e bebeu vinho na presença dos mil" (Dn 5.1). Que houve nesse banquete?
a. Ostentação e muita bebida (Dn S. l);
b. O Deus Altíssimo foi insultado. O rei mandou vir os vasos de ouro que Nabucodonosor havia tirado do templo em Jerusalém e guardado no templo de seu deus. Todos esses eram usados no culto e nos sacrifícios no templo em Jerusalém. Nem lá poderiam ser usados em festa secular. Além de beber neles, "o rei, os seus grandes e as suas mulheres e concubinas... deram louvores aos deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira, e de pedra" (Dn 5.3-4).
2. A intervenção de Deus foi dramática. Dedos de mão humana apareceram, justamente onde havia boa iluminação, e escreveram palavras misteriosas na caiadura da parede. Foram chamados todos os peritos em interpretar mistérios, "os encantadores, os caldeus e os adivinhadores", mas nada puderam explicar (Dn 5.7-8; confira Dn 2.10-11).
3. A rainha-mãe veio a saber a razão da repentina confusão e se lembrou de Daniel, L10- 12). Vejamos a resposta de Daniel.
a. Primeiro, rejeitou as honrarias com que o rei tentou comprar a interpretação;
b. Depois, acusou o rei de ter esquecido as tremendas revelações e livramentos concedidos a Nabucodonosor, negligenciando as implicações desses para ele e para o seu reino. la imagem de ouro e da fornalha de fogo, e do livramento dos jovens judeus por um Deus muito maior do que os deuses pagãos. O próprio Nabucodonosor havia mandado publicar a grandeza e a supremacia desse Deus em decreto imperial: "O rei Nabucodonosor a todos os povos, nações e homens de todas as línguas, que habitam em toda a terra: Paz vos seja multiplicada! Pareceu-me bem Jazer conhecidos os sinais e maravilhas que Deus, o Altíssimo, tem feito para comigo" (Dn 4; l -2);
4. Nabucodonosor aprendera e anunciara grandes verdades a respeito desse Deus, muito pertinentes ao caso que preocupava o seu sucessor.
a. Seus adivinhos e astrólogos haviam declarado que ninguém podia fazer essas interpretações difíceis, "senão os deuses, e estes não moram com os homens" (Dn 2.11). Daniel, porém, havia demonstrado que o Deus verdadeiro não vive alheio ao que se passa na terra (compare com 2Crônicas 16.9 com o Salmo 97.6-7). Ele é o Juiz de toda a terra, de todas as nações;
b. Belsazar não levava em conta que o seu próprio trono havia sido dádiva desse Deus, o Altíssimo, que nas palavras de Nabucodonosor "tem domínio sobre o reino dos homens; e o dá a quem quer e até ao mais humilde dos homens constitui sobre eles" (Dn 4.17).
5. Nesse banquete ocorria um confronto entre o Senhor e as forças malignas que estavam atrás dos deuses falsos, como aconteceu quando os filisteus levaram a arca do Senhor como despojo de guerra. Colocaram-na no templo de seu deus Dagom, e houve intervenção de Deus. A imagem de Dagom amanheceu caída diante da arca. Na manhã seguinte, a derrota foi pior. A imagem paga caiu e suas mãos e pés estavam decepados (1Sm 5.1-4). Belsazar não entendia que se tratava de um Deus vivo que declarara: "Eu sou o Senhor, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura" (Is 42.8).
6. Daniel explica o enigma na parede - "Mene, Mene, Tequel e Parsim" (Dn 5.25).
a. A dificuldade não seria de língua, que o rei já conhecia, mas da aplicação das palavras. Cada uma tinha mais de um significado. Cada uma podia ser verbo ou substantivo. Daniel optou pelos verbos. "Mene: Contou Deus o teu reino e deu cabo dele. Tequel: Pesado foste na balança e achado em falta. Feres (que é o singular de Parsim): Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas" (Dn 5.26-28);
b. Já fora revelado a Daniel, no reino de Belsazar, que o fim do império babilônico, o maior que o mundo já vira até então, estava iminente. E que os persas logo deveriam inaugurar outro. De fato, até a qualidade desses impérios já fora revelada a Nabucodonosor (confira Daniel 2.37-40 e os capítulos 7 e 8).
7. O desfecho dramático. Enquanto a festa continuava no palácio, o exército dos medos e persas já estava às portas. Desviaram as águas do Eufrates que rodeavam a cidade e entraram pelos portões abertos sem encontrar resistência. Assim, "Naquela mesma
noite, foi morto Belsazar, rei dos caldeus. E Daria, o medo, com cerca de sessenta e dois anos, se apoderou do reino" (Dn 5.30-31).
Daniel para hoje →
• Os governos atuais só estão estabelecidos com a permissão de Deus, e terão que prestar contas a Ele. Estamos orando pelas autoridades de nosso país como manda a Escritura? (1Tm 2.2)
• Quando precisamos de orientação, hoje, para solucionar problemas, a quem chamamos? Muitos ainda hoje buscam os astrólogos, os gurus na internet, ou quem "lê as cartas", sem se lembrar de que quem faz tais coisas desobedece a Deus (Dt 18.9-11). Deus promete guiar os Seus filhos que O buscam e O escutam (SI 32.8-9).
• Estamos sempre relembrando as grandes ações de Deus no passado que revelam o que Ele é e o que Ele quer de nós hoje? Belsazar sabia muito da realidade desse Deus, mas não a levou em conta. O resultado foi a destruição dele e de seu reino (1 Co 10.11).
III. A nova situação de Daniel
Daria, o medo, recebeu o reino. Quem foi esse Dario? Vários monarcas, com o mesmo nome, reinaram depois nesse império. É mencionado em Daniel 5.31 que ele tinha sessenta e dois anos de idade quando "se apoderou do reino". Há muita evidência de que Dario, o medo, era o mesmo Ciro. O texto de Daniel 6.28 pode ser traduzido: Daniel, pois, prosperou no reinado de Dario, isto é, no reinado de Ciro, o persa". Em Daniel 11.1, onde se lê "no primeiro ano de Darío, o medo" - a Septuaginta (LXX), versão grega do AT, traz "no primeiro ano de Ciro, o rei”.
Daniel não morreu na tornada da cidade, como Jeremias, também foi protegido na destruição de Jerusalém. Deus ainda tinha muito serviço para os dois.
Conclusão
Os banquetes na Bíblia nos ensinam muito sobre a realidade espiritual. Revelam o caráter e as crenças dos participantes. Exibem a avaliação de Deus desse caráter e dessas crenças. Muito nos dizem do envolvimento de Deus na vida das pessoas e das nações. Ele não é um Senhor ausente. As intervenções de Deus nessas ocasiões enfatizam a Sua soberania e fidelidade. Confirmam a certeza de Jó: "Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado" (Jó 42.2).
Septuaginta - Versão do AT para o grego, feita entre 285 e 150 a.C. em Alexandria, no Egito, para os muitos judeus que ali moravam e que não conheciam o hebraico, O nome "Septuaginta" vem, segundo a lenda, dos setenta ou setenta e dois tradutores que a produziram. A Bíblia de Jesus e dos Seus discípulos foi a Bíblia Hebraica, mas a LXX foi a Bíblia de Paulo e das igrejas da DISPERSÃO, A maioria das citações do AT no NT é tirada da LXX (Kaschel, W., Zimmer, R., & Sociedade Bíblica do Brasil -1 999; 2005. Dicionário da Bíblia de Almeida V ed. Sociedade Bíblica do Brasil).
Fonte: Revista Vida Cristã – Escola Bíblica – www.editoracristaevangelica.com.br