02.01.2021
Texto Básico: Gálatas 6:1-18
Versículo Chave: Gálatas 6:14: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo.”
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No último capítulo da epístola; Paulo dá orientações sobre a conduta verdadeiramente espiritual para com o irmão caído; instrui o cristão a ser fiel e caridoso na administração dos seus recursos financeiros e., por último, declara o seu interesse em gloriar-se em Cristo, em contraste com os legalistas que se gloriavam na carne.
l. A conduta para com o irmão caído
Como proceder com um crente que pecou? Basta aplicar a lei do amor (cf. 5.14), aprendendo a levar as cargas uns dos outros.
1. Corrigí-lo
(Gl 6.1)
Paulo imaginou um irmão “surpreendido nalguma falta” - alguém que cometeu um pecado e foi apanhado em flagrante, e não alguém que vivia habitualmente no pecado Tal pessoa devia ser tratada por cristãos espirituais ou amadurecidos, isto é, irmãos que evidenciavam o fruto do Espírito, e por isso eram capazes, tendo autoridade para corrigir. Em especial, tal ação requer um “espírito de brandura” ou mansidão, e o cuidado para não ser também tentado. Quem pode ajudar um irmão a ser restaurado não é convencido: deve ser alguém consciente da sua condição de pecador, que assume o risco de pecar e sabe da necessidade de vigiar a si mesmo para não cair em tentação (cf. Mt 26.41).
2. Ajudá-lo
(Gl 6.2-5)
Segue-se uma afirmação que deve abranger todos os casos particulares: “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo" (v.2). As cargas são as consequências das faltas morais que oprimem pesadamente a alma e envergonham aquele que as cometeu. O dever dos cristãos é ajudar o irmão, sobre cujos ombros estão o peso da vergonha e até da disciplina pelo pecado cometido, a suportar essa carga. Aliviar alguém do seu pesado fardo é um ato de verdadeiro amor. É assim que se cumpre "a lei de Cristo” (cf. Rm 15.1-3).
O que pode impedir alguém de cumprir a lei de Cristo é a presunção ou o orgulho. Por isso, Paulo advertiu quanto ao perigo de que esse sentimento venha a ser causa de decepção (v.3). A falsa impressão que uma pessoa tem de si mesma cresce, quando ela se compara com o irmão faltoso. Orgulhosamente contrasta a fraqueza dele com a sua pretensa superioridade moral. A atitude certa a tomar é sugerida nos versículos seguintes. O crente deve submeter à prova a sua própria conduta, à luz da sua consciente condição. Então poderá descobrir se terá motivo para gloriar-se em si, e não em comparação com "outro". Afinal, é à luz da sua própria responsabilidade diante de Deus que o homem provara a qualidade da sua vida e do seu caráter. É nesse sentido que o apóstolo diz: "Cada um levará o seu próprio fardo" (v.4-5). O fardo aqui referido é o da responsabilidade moral. Desse fardo ninguém pode fugir ou dividir o seu peso com outra pessoa.
Il. A ceifa na proporção da semeadura
(Gl 6.6-10)
Aqui, Paulo fez uso da figura da sementeira e da colheita para ilustrar o dever do crente em apoiar materialmente o seu líder espiritual.
1. O princípio estabelecido
(Gl 6.6-7)
Todos os crentes devem cumprir os deveres financeiros para com a igreja. A nossa contribuição é um bom termômetro do amor que temos para com a obra de Deus. É uma farsa exprimir o nosso apreço pelas bênçãos recebidas na igreja e contribuir com pouco ou nada para as suas despesas e o sustento dos seus pastores (v.6, cf. l Co 9.6-14; Fp 4.14-18).
Quando um semeador semeia trigo, ceifa trigo cem ou mais vezes. Muitos se enganam acerca desse principio da semeadura, ao esperarem uma ceifa diferente da semente que lançaram ao solo. É por isso que Paulo adverte: "De Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará". Ninguém deve enganar-se a si mesmo. muito menos pretender impunemente enganar a Deus e escapar das consequências dos seus atos.
2. O princípio explicado
(Gl 6.8-10)
Grande soma de dinheiro para nossos prazeres, e míseros centavos para Jesus! Isso é semear “para a sua própria carne" (v.8). Carne - significa todas aquelas disposições e impulsos que são errados e que usam o nosso corpo como instrumento de ação. Todos os atos que são fruto da "carne" são pecaminosos. Infelizmente, esse é o procedimento que se constata em grande percentagem dos membros das igrejas. A consequência é uma colheita de desapontamentos e perdas, porque "da carne colherá corrupção”.
As palavras "cansemos" e "desfalecermos" (v.9) significam o enfraquecimento da vontade e das faculdades, respectivamente. Precisamos ser mais persistentes na vida cristã e no serviço para Jesus, mesmo que seja difícil, pois Deus nos dá forças para prosseguir. E podemos ter certeza de que chegaremos à colheita com alegria, trazendo bons feixes conosco. Depois, no Seu tempo, Deus nos dará o galardão.
Se temos ocasião de fazer o bem, que o façamos a todos, "mas principalmente aos da família da fé" (v. 10). Essa família inclui a totalidade dos salvos. Mas a nossa bondade não pode ser limitada aos crentes, embora eles devam ser objeto especial ao nosso cuidado. Não se trata de fazer o menos mal possível, mas de fazer todo o bem possível - "quanto depender de vós" (Rm 12.18). Sejamos fiéis enquanto a oportunidade existe.
Gálatas para hoje - Você se cansa "de fazer o bem"? Como você relaciona a mensagem de Paulo em Gálatas 6.9 com o ensino do apóstolo João em 1 João 3.17-18?
III. A glória na cruz de Cristo
(Gl 6.11-18)
No final da carta, encontra-se o contraste entre gloriar-se na carne e gloriar-se na cruz.
1. Os que se gloriam na carne
(Gl 6.11-13)
No versículo 11, Paulo esclareceu que as “letras grandes”, que escreveu de próprio punho, eram certamente por causa da doença da sua visão. Ele não ditou a epístola para que outros a escrevessem como de costume.
Mas logo a seguir, voltou a referir-se aos judaizantes como “os que querem ostentar-se na carne" (v. 12). Condenou o constrangimento que causavam aos gálatas com a insistência para que fossem circuncidados, com vistas a não serem “perseguidos por causa da cruz de Cristo". Depois apontou para a incoerência desses "legalistas", pois nem eles mesmos guardavam a lei, e apenas queriam granjear convertidos para se gloriarem disso (v. 13).
Gálatas para hoje - Que semelhança há entre os judaizantes e aqueles que, hoje em dia, se gloriam no número dos seguidores que conquistam?
2. Os que se gloriam na cruz
(Gt 6.14-18)
Ao contrário do que faziam os legalistas, Paulo se gloriava apenas "na cruz de Cristo" (v.4). Quando uma pessoa é salva, rompe com o mundo, no sentido de não mais ser atraída ou influenciada pelos conceitos e coisas do mundo. O mundo perdeu a atração, porque o salvo encontrou alguém que o satisfaz plenamente. Em consequência, para Paulo e para todos os cristãos, nem a "circuncisão" (ritos, cerimônias) tem qualquer valor espiritual em si, nem a “incircuncisão" (a falta de ritos ou a revolta contra todas as cerimônias). O que tem mesmo valor diante de Deus é "ser nova criatura" (v.l5, cf. 2Co 5.17).
Sobre todos os que são novas criaturas, o apóstolo pronuncia uma bênção dobrada de “paz e misericórdia", que é estendida ao "Israel de Deus", isto é, os judeus cristãos, que são, ao mesmo tempo, descendência física e espiritual de Abraão (v. 16).
"As marcas de Jesus", que o apóstolo dizia trazer no corpo (v. 17), eram as cicatrizes causadas pelo sofrimento a que tinha sido submetido (cf. 2Co 11.23-25). Estas falavam mais alto do que a marca da circuncisão, que os judaizantes queriam impor aos gálatas. A palavra "marca" (estigmata, no original) era usada para se referir à marcação de um escravo. Talvez, também, ele quisesse dizer que de mais ninguém podia ser escravo, pois já trazia no corpo as marcas que o identificavam com o seu Senhorjesus Cristo. Por isso, era melhor que não o importunassem, querendo que voltasse à antiga escravidão sob a lei.
Paulo concluiu com uma saudação dirigida a todos os irmãos gálatas: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito”. A “graça”, e não a lei, é a palavra que caracteriza esta epístola (1.3,6). Graça é favor imerecido. A obra de Jesus Cristo foi a suprema expressão da graça divina.
Gálatas para hoje - O que é essencial na mensagem de Paulo aos crentes da Galácia, e também para os crentes do século XXI, é o seguinte: porque temos confiado em Cristo, Ele nos tem tornado livres! Aleluia!
Conclusão
Na saudação final, o apóstolo se refere aos gálatas como "irmãos" (v.l8). Essa palavra contém um toque final do carinho que o apóstolo tinha por eles. Os leitores desta carta podem ficar com a impressão de que a severidade de Paulo o tenha feito esquecer a profunda relação que o unia aos cristãos da Galácia. Mas esse tratamento lhes revelou que o apóstolo não lhes guardava nenhum rancor.
Fonte: Revista Vida Cristã – Escola Bíblica – www.editoracristaevangelica.com.br