22.03.2021
Texto Básico: Colossenses 3:1-17
Versículo Chave: Colossenses 3:12 “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de termos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade.”
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Colossenses 3:1-4 |
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Mateus 12:34-37 |
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Romanos 13:8-14 |
Os dois primeiros capítulos de Colossenses estão relacionados com assuntos doutrinários, centrados na pessoa e obra de Jesus Cristo. Paulo achou necessário combater o erro que ameaçava a igreja de Colossos e defender a verdade. Nos dois últimos capítulos, o apóstolo trata de temas práticos. Lembra aos crentes que Jesus Cristo é também vida que, quando flui do coração dos homens, os faz triunfar sobre o pecado.
l. A vida ressurreta
(Cl 3.1-4)
Esses primeiros versículos do capítulo 3 são uma conclusão de tudo o que foi dito antes e, ao mesmo tempo, uma excelente introdução a tudo aquilo que segue.
1. A experiência já obtida
(Cl 3.1)
"Se fostes ressuscitados juntamente com Cristo" - Além de ter passado pela experiência espiritual da morte com Cristo (cf. 2.20), o crente passa com Ele pela experiência da ressurreição (cf. Rom 6.5-11). Isso quer dizer que, sendo participante da nova vida de Cristo, é agora cidadão de um mundo diferente. Se essa é experiência do cristão, então toda sua vida se transformou.
2. O novo propósito para a vida
(Cl 3.1-3)
Como pessoas ressuscitadas juntamente com Cristo, os crentes precisam orientar vontade e pensamentos para as coisas mais sublimes.
a. O interesse pelo"alto" (v.1 ) - "Buscai as coisas lá do alto" significa dirigir a vontade para as realidades que valham a pena. As coisas do alto estão em contraste com as coisas terrenas (Fp 3.19). O alto é "onde Cristo vive". O crente é encorajado a focalizar Cristo como o alvo da sua vida. Ele foi levantado muito acima de todas as coisas da terra.
b. O pensamento dirigido para o "alto" (v.2) - "Pensai nas coisas lá do alto” é um complemento da expressão anterior. Os crentes devem fixar os pensamentos no que é mais sublime e que enobrece a mente em vez de corrompê-la; ou ocupar a mente com o que edifica, e não com o que destrói (cf. Fp 4.8).
c. A razão para a vida ressurreta (v.3) - "Porque" introduz a razão de viver como ressurreto. À nova liberdade e finalidade da vida em Cristo segue a renúncia do crente ao pecado ("morrestes"). O cristão morreu para o sistema do mundo; por meio da fé e da união com Cristo na Sua morte e ressurreição (cf. Gl 6.14). A "vida está oculta" pode-se entender como escondida e guardada em lugar seguro, sob o inteiro domínio do Pai e do Filho (cf. 2Tm 1.12).
3. A manifestação da vida ressurreta
(Cl 3.4)
Neste versículo, temos a promessa da manifestação de Cristo, que se dará no futuro. Ele voltará! E "todo olho o verá, até quantos o traspassaram" (Ap 1.7). O aposto "que é a nossa vida" explica que Ele não apenas nos deu vida; Ele é a vida que vivemos (cf. Gl 2.20; 2Co 4.10; Fp 1.21). Naquele dia, quando o Senhor regressar, os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo serão "manifestados com Ele, em glória" (Cl 3.4).
II. A morte da velha natureza
(Cl 3.5-8)
Já vimos a ênfase que é dada em Colossenses à doutrina de morrer com Cristo para o pecado e de ser ressuscitado com Ele para a nova vida. Mas a natureza carnal do homem é tão forte que tem a tendência de reativar-se. Por isso o cristão vive numa batalha continua e precisa continuar a matar a sua natureza terrena.
1. A disposição para "fazer morrer"
(Cl 3.5)
“Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena”. O cristão deve assumir o firme propósito de matar a sua natureza carnal, por causa da sua íntima e profunda ligação com Cristo (cf. v.1-4). Trata-se de uma verdadeira abnegação. Uma vez identificado com Cristo na Sua morte, o cristão tem de decidir que o próprio "eu" antigo, a vida paga, permaneça morto. "Natureza terrena" é o mesmo que "as inclinações da carne" (Ef 2.3) ou "pendor da carne" (Rm 8.6-8).
Embora a conversão inclua mudança de direção moral, ela não é garantia de santidade instantânea (cf. Fp 3.12). Mas "uma mudança radical já experimentada na natureza interior precisa ser efetuada no caráter e na conduta" (Comentário Bíblico Broadman, v. 11, p.297).
2. Pecados relacionados à perversão do amor
(Cl 3.5-7)
Segue-se uma relação de pecados pessoais que têm a ver com os sentimentos.
• "Prostituição” é a tradução de porneia. Além desse sentido, pode referir-se aos pecados relacionados ao sexo em geral.
• "Impureza”, relacionada ao sexo, é um termo mais genérico do que imoralidade. Pode até significar a intenção do coração (cf. Mt 5.28). É uma das obras da carne.
• "Paixão lasciva” é o desejo erótico insaciável (1Ts 4.5).
• "Desejo maligno" significa, as "imundas paixões" da carne (2Pe 2.10), o desejo pelo que é proibido ou pervertido.
• "Avareza" ou "cobiça" é o insaciável desejo de possuir mais, ou aquilo que é proibido (cf. Tg 4.2), tanto em relação a bens materiais como em relação à luxúria e às paixões sexuais (cf. Êx 20.17).
Há duas razões pelas quais o cristão não mais deve praticar tais atos:
1ª porque são o meio pelo qual o homem atrai para si a ira de Deus (v.6, Rm 1.18);
2ª eram pecados praticados pelos colossenses quando ainda não haviam experimentado a mudança de vida operada por Cristo (v.7; Ef 2.2).
3. Pecados cometidos no relacionamento
(Cl 3.8-9)
Os pecados da lista já citada são próprios dos filhos da desobediência. Os pecados que constam da lista a seguir, porém, devem ser evitados pelo cristão no relacionamento com as outras pessoas ("agora", v.8). Tais pecados são comparados à roupa velha, gasta, usada e suja, cujo destino só pode ser o lixo. Ê esse o sentido de "despojai-vos".
• "Ira” pode ser aqui uma disposição que se afirma e que ameaça os outros (cf. Ef 4.3 l).
• "Indignação" é uma palavra que descreve a ira que leva à explosão. É como fogo de palha, que se alteia rapidamente e logo se apaga. Esse tipo de raiva é capaz de destruir boas relações e desencadear uma sequência de eventos cruéis.
• "Maldade" é o termo usado para o mal moral. Ou referir-se a um dano causado pela fala maldosa.
• "Maledicência" ou blasfêmia é a calúnia dirigida contra o próximo.
• “linguagem obscena do vosso falar" significa o modo de falar grosseiro, sujo e vil, que reflete a impureza do coração (Mt 12.34-37).
• “Mentira” consta no verso 9. É o pecado mais comum da língua. Esse pecado não deve ser cometido. Pode parecer um "pecado inocente", mas o mentiroso é considerado "filho do diabo" (Jo 8.44) e incluído na lista dos condenados ao inferno (Ap 21.8).
Colossenses para hoje - A base do apelo de Paulo é a transformação radical de caráter experimentada por todo crente, Paulo compara essa mudança à troca de roupa. Quando o crente coloca Jesus Cristo como o Senhor da sua vida, ele troca a roupa velha de injustiça (unrighteousness) pela a roupa nova da justiça de Cristo. Já trocou a roupa?
III. A vida do novo homem
(Cl 3.10-17)
Nos versículos anteriores, tivemos uma descrição do “velho homem”. Nos próximos, aprenderemos sobre as atitudes do novo homem.
1. O progresso
(Cl 3.10-11)
Aquele que se despe do velho homem (v.9) se reveste do novo homem (v. 10). "Velho homem" é a natureza não regenerada (cf. Ef 4.22). O "novo homem", por outro lado, é nova criatura (2Co 5.17).
a. A renovação contínua (v.10) - O crente traz consigo as duas naturezas; enquanto a primeira deve ser "morta" (v.5), a segunda "se refaz para o pleno conhecimento”. O caráter do novo homem está sendo sempre renovado (2Co 4.16). Ele não se conforma com o sistema mundano, mas se transforma pela renovação interior (Rm 12.2). O pleno conhecimento é o objetivo da renovação. Além disso, o novo homem se refaz "segundo a imagem daquele que o criou", ou seja, segundo a imagem de Cristo (Rm 8.29). Ele é o ideal que devemos seguir e imitar. Só por meio Dele o crente recebe renovação constante.
b. A ausência de preconceito (v.11) - O novo homem é criado para viver em comunhão. As velhas barreiras raciais, religiosas, culturais e sociais desapareceram em Cristo. "Não pode haver grego nem judeu” diz respeito ao preconceito racial; “circuncisão nem incircuncisão" simbolizam o antagonismo religioso; “bárbaro” expressa o desprezo que os gregos tinham pelas pessoas sem cultura; "cita" era a mais baixa classe de bárbaros; “escravo” era o homem-ferramenta, sem quaisquer direitos; "livre" é o contrário de escravo. O cristianismo quebra as barreiras. É o maior poder unificador que existe.
2. O desempenho
(Cl 3.12.13)
Os cristãos são agora chamados a se revestirem das virtudes que devem caracterizar a pessoa que já se despojou do velho homem. A justificativa para assim procederem é serem “eleitos de Deus, santos e amados". Esses termos são usados no Antigo Testamento para descrever o povo de Israel (cf. Dt 7.6-8). A igreja, como povo de Deus, goza dessa distinção. Como todo privilégio traz responsabilidades, há virtudes que devem fazer parte do caráter do cristão.
• “Ternos afetos de misericórdia" é o mesmo que compaixão pela pessoa que vive em algum tipo de miséria.
• “Bondade" significa espírito generoso e desejo pelo bem-estar do outro.
• "Humildade" é um aspecto especial do caráter cristão, que Jesus Cristo pede que aprendamos Dele (Mt 11.29; Jo 13.12-15). A pessoa humilde não age orgulhosamente, não rebaixa os outros nem vive sempre a exigir os seus direitos.
• "Mansidão", que também podemos aprender diretamente de Cristo, significa brandura, suavidade ou doçura.
• "longanimidade" é a paciência capaz de suportar ofensas sem revidar ou vingar-se.
O cristão deve tomar as duas atitudes recomendadas a seguir (v.18).
• “Suportai-vos uns aos outros” - Implica aceitar o irmão ou a irmã assim como são, com as fraquezas e deficiências, e com amor (cf. Ef 4.2). Afinal, nem eles nem nós somos perfeitos!
• "Perdoai-vos mutuamente" - Essa atitude, como a anterior, é mútua. A comunhão depende da disposição para perdoar. "... assim como o Senhor vos perdoou" (cf. Ef 4.32).
3. A perfeição
(Cl 3.14-17)
Paulo estava orientando o desempenho do novo homem. Nesses quatro versículos seguintes, encontramos o desafio para buscarmos a perfeição.
a. No amor (v.14) - O amor completa a vestimenta do crente. Ele deve ser praticado como um sobretudo – “acima de tudo". Na realidade, é a virtude por excelência (cf Rm 13.8-9; 1Co 13.1-3,13).
b. Na paz (v.15) - A recomendação paulina é para que a paz de Cristo, vivida e ministrada, domine o coração do crente (cf.Jo 14.27). O "árbitro" é aquele que dirige e disciplina a conduta. Quando dominados, interiormente, por essa paz, a nossa atitude é pacífica e pacificadora (cf. Rm 12.18; Fp 4.7; Mt 5.9).
c. Na Palavra (v.16) - Não se consegue caminhar rumo à perfeição sem "a palavra de Cristo", cujo ensinamento deve habitar "ricamente" em nós (não pobremente!).
Com base na Palavra, os cristãos podem:
• exercer o dever mútuo da instrução e do aconselhamento sábio,
• louvar a Deus "com salmos" (composições contidas, na sua maioria, no livro bíblico dos Salmos), com "hinos" (composições de exaltação ao Pai ou a Cristo, cf. ITm 3.16) e "cânticos espirituais" (diversas canções que descrevem a experiência cristã de modo geral), pois a presença da paz de Cristo e o louvor a Deus devem ser acompanhados de intensa gratidão, que surge do coração.
d. Em tudo (v.17) - Essa expressão pode significar que não apenas no seio da comunidade cristã, mas também fora dela (cf. v. 18 em diante), o cristão precisa agir em obediência à autoridade de Cristo, ou em honra do Seu nome. Pelo privilégio de fazer "tudo em nome do Senhor Jesus", o cristão deve dar graças por meio Dele a Deus, e regozijar-se pela condição de viver no poder do Senhor a cada dia, todo o dia.
Colossenses para hoje - Ter espírito de perdão é uma demonstração de que você já experimentou o perdão de Cristo. E o resultado de uma intima união com Cristo é possuir a mente Dele, que o leva a ter constante espírito de gratidão.
Conclusão
“Uma vida assim adornada com o caráter de Cristo, modelada pelo exemplo de Cristo, sujeita à Sua lei de amor, governada pela Sua paz, habitada pela Sua Palavra, dedicada a ostentar dignamente o Seu nome, de fato se revestiu da nova natureza, renovada segundo a imagem do seu Criador. Um crente e uma igreja que se caracterizam por essas qualidades, com toda a certeza, participam de uma vida cheia de Cristo". (Broadman).
Fonte: Revista Vida Cristã – Escola Bíblica – www.editoracristaevangelica.com.br