02.03.2021
Texto Básico: Colossenses 1:20-23
Versículo Chave: Colossenses 1:20 “E que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a erra quer nos céus.”
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Há três divisões neste estudo. Na primeira (Cl 1.20-23), Paulo defende a suficiência de Cristo para reconciliar o homem com Deus; na segunda (Cl 1.24-29), apresenta-se como ministro do mistério de Deus em Cristo; na terceira (Cl 2.1-5), sugere a maneira de ser dos que foram reconciliados.
l. O meio pelo qual foi feito a reconciliação
(Cl 1.20-23)
Conforme o texto anterior (1.15-19), Jesus Cristo é o soberano Senhor do universo e da igreja, da qual também é a cabeça. No presente texto, Paulo demonstra que “por meio dele” Deus reconcilia “consigo mesmo todas as coisas".
1. O plano da reconciliação
(CM. 20-21)
O verbo "reconciliar", usado nesse texto, é a tradução de apokatalasso, cujo significado é "completamente” ou “totalmente reconciliado". Paulo o usa para contra-atacar os falsos mestres que consideravam Jesus Cristo um espírito emanado de Deus e incapaz de reconciliar o homem com o Criador. Entretanto, uma vez que Cristo possui a plenitude da divindade (cf. 1.19; 29), Ele está capacitado para reconciliar completamente os pecadores com Deus (v.20).
O plano divino para a reconciliação se fez por Jesus Cristo. Quando concluiu a obra da criação Deus viu que tudo "era muito bom" (Gn 1.31). Mas Sua obra foi logo contaminada pelo pecado do homem. A queda resultou não somente numa tragédia fatal para a raça humana; também afetou toda a criação. O pecado destruiu a perfeita harmonia entre as criaturas, e entre a criação e o Criador (cf. Rm 8.20-22). Tanto os salvos por Cristo como a natureza aguardam o momento final da reconciliação (cf. Rm 8.23).
"Todas as coisas" exclui:
- os incrédulos, para os quais o destino está definido (Mt 25.41,46). Eles terão um segundo julgamento, porém, para a
condenação (Ap 20.10-15);
- Satanás, a quem Deus esmagará debaixo dos nossos pés (Rm 16.20).
- os anjos maus, os quais Jesus expôs ao desprezo, triunfando sobre eles na cruz (Cl 2.15; Mt 25.41).
Paulo lembra aos colossenses o que eles eram, antes de ser reconciliados (v.2l): "estranhos” ou alienados em relação a Deus (cf. Ef 4.18); "inimigos no entendimento", por agirem deliberadamente com hostilidade para com Deus; "pelas vossas obras malignas” porque a alienação era confirmada mediante a prática de atos indignos (cf. Rm 1.21-25). Apesar disso, foram reconciliados!
2. O meio usado para a reconciliação
(CI 1.20,22)
Duas frases resumem o meio específico pelo qual Cristo efetuou a reconciliação.
a. Fez a paz pelo sangue da Sua cruz (v.20) - O "sangue" se refere metaforicamente à expiação de Cristo (cf. 1Pe 1.18-19) e estabelece uma conexão da Sua morte com o sistema sacrificial do Antigo Testamento. É também um termo que lembra a violenta morte, assim como o sofrimento causado ao animal. Tudo era símbolo da morte que o Cordeiro havia de sofrer, para tirar o pecado do mundo (Jo 1.29; Hb 9.22; 13.11-12). Portanto, ao derramar o Seu sangue na cruz, Jesus restabeleceu a paz entre o homem e Deus (Rm 5.1, Ef 2.13; 2Co 5.18).
b. Reconciliou no corpo da Sua carne, mediante a Sua morte (v.22) - Essa expressão é em pregada para opor-se à ideia dos falsos mestres de que os anjos eram intermediários na reconciliação do homem com Deus, e para contrariar a doutrina gnóstica de que o corpo é mau em si mesmo. O corpo físico de Jesus foi entregue por Ele próprio na cruz (Jo 10.17-18); em substituição ao nosso corpo - um sacrifício vicário (cf. Rm 8.3).
3. A finalidade da reconciliação
(Cl 1.22)
O alvo supremo da reconciliação é a apresentação dos salvos a Deus "santos, inculpáveis e irrepreensíveis" (cf. 2Co 11.2; Ef 5.27).
a. Santos significa separados do pecado e dedicados a Deus. Como resultado da fé e da consequente união com Cristo, o cristão é santo diante de Deus, por causa da obra do Filho (Ef 1.4).
b. Inculpáveis são as pessoas sem culpa, sem defeito ou sem mancha. Esse sentido era usado em relação aos animais separados para o sacrifício, no Antigo Testamento (Nm 6.14). No Novo Testamento, essa característica é aplicada a Cristo, o Cordeiro de Deus. Com referência a nós, a reconciliação nos possibilita caráter inculpável.
c. Irrepreensíveis tem o sentido de não ser acusados ou repreendidos por alguém. Satanás, o acusador dos irmãos (Ap 12.10), não pode apontar o dedo acusatório contra aqueles que, em Cristo, foram reconciliados com Deus (cf. Rm 8.33).
4. A evidência da reconciliação
(Cl 1:23)
A Bíblia repetidamente ensina que aqueles que foram realmente reconciliados permanecerão na fé. Por exemplo, Jesus disse "aos judeus que haviam crido nele: ‘Se vós permanecerdes na minha palavra, sois verdadeiramente meus discípulos’" (Jo 8.31).
A palavra de Paulo serviu como advertência aos colossenses quanto ao perigo de se afastarem “da esperança do evangelho”; da mensagem apostólica, que anunciava a salvação em Cristo e a certeza da vida eterna. Essa mensagem ecoava por todo o mundo (cf. Cl 1.6), para que toda a criatura debaixo do céu a ouvisse (cf. Mc 16.15-16).
Paulo encerra esse apelo à firmeza na fé, lembrando aos colossenses que havia recebido, experimentado e se submetido ao mesmo evangelho transformador da vida deles.
Colossenses para hoje - Nem todos os que afirmam ser Jesus Cristo o Salvador são, de fato, salvos. Ele mesmo advertiu a esse respeito (Mt 7.22-23). Uma das marcas do verdadeiro cristão é mencionada por Paulo aqui: "permaneceis na fé, alicerçados e firmes". Você demonstra, pela sua permanência na fé, que já experimentou a verdadeira reconciliação com Deus?
II. O ministro da reconciliação
(Cl 1.24-29)
Nos últimos versículos do capítulo l, Paulo escreve acerca do seu ministério.
1. As raízes do ministério
(Cl 1.24-25)
O ministério de Paulo foi desenvolvido numa atmosfera de sofrimento. A carta aos Colossenses foi escrita da prisão, em Roma. Contudo, Paulo o desenvolvia com alegria e para o benefício dos santos.
a. "Preencho... das aflições de Cristo" (v.24) - Tais aflições não se referem ao sofrimento expiatório de Cristo sobre a cruz, que foi completo e único (Hb 9.27-28). Essa afirmação de Paulo tem relação com o sofrimento que o Senhor Jesus ainda suporta, na dor que os Seus padecem. Quando Paulo se dirigia a Damasco, para perseguir os cristãos, ouviu uma voz dos céus que dizia: "Saulo, Saulo, porque me persegues?" (At 9.4). Ele não perseguia diretamente o Senhor, mas aprendeu aí que perseguir os cristãos era como fazê-lo a Cristo.
b. "A favor do seu corpo, que é a igreja" (v.24) - Não era em vão o sofrimento, porque beneficiava a igreja. Há dignidade nesse tipo de sofrimento, pois quem o sofre coopera para o fortalecimento do corpo de Cristo, a igreja. Desde que foi chamado, Paulo estava avisado de quanto haveria de padecer por amor a Cristo (At 9.16).
c. "Da qual me tornei ministro" (v.25) - Essa expressão já apareceu no v.23, relacionada à incumbência de pregar o evangelho. Agora Paulo a usa para dizer acerca do seu ministério em relação à igreja.
2. O ministério a cumprir
(Cl 1.26-28)
A responsabilidade de Paulo era manifestar aos cristãos o "mistério" - o segredo conhecido apenas por revelação divina, que Cristo "manifestou aos seus santos". Tal "mistério" havia estado oculto, mas agora podia ser conhecido. Que mistério é esse? "Não é nada mais do que a inclusão dos gentios no propósito divino da salvação" (Martin, p 82). Agora os gentios (os não judeus) recebem a certeza da provisão de Deus para salvá-los. Eles "são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus, por meio do evangelho" (Ef 2.11-22; 3.6).
Os apóstolos pregavam este evangelho (v.28), que também devemos anunciar, a fim de:
o cristão se torne maduro, completo.
3. O empenho para cumprir o ministério
(Cl 1.29)
Nesse versículo o apóstolo descreve o empenho para anunciar a Cristo. “Para isso é que eu também me afadigo..." indica o seu desgaste físico. Mesmo estando preso em Roma, continuava a trabalhar muito (At 28.30-31). Pregava e ensinava as pessoas que o procuravam, e escrevia. Quatro das suas epístolas, incluindo Colossenses, foram redigidas na prisão.
“... esforçando-me o mais possível" pode ser uma referência à sua luta ministerial, como a de um atleta que procurava ganhar uma competição (cf. 2.1). Paulo encontrava energia para realizar o trabalho árduo no Senhor - "... segundo a sua eficácia que opera eficientemente em mim". O poder de Deus o capacitava para agir de maneira producente.
Colossenses para hoje - Você tem se empenhado em advertir seus amigos e parentes da situação trágica em que se encontram sem Cristo e da necessidade de serem reconciliados com o Senhor? E, uma vez convertidos, você os tem ajudado a ser instruídos na palavra de Deus para que se tornem crentes maduros?
III. A maneira de ser dos reconciliados
(Cl 2.1-5)
Paulo não enfrentava uma luta apenas pelos colossenses. Desgastava-se, provavelmente em oração, também pelos laodicenses e por todos os demais que não conhecia pessoalmente (v. 1). O objetivo da sua luta era para que os crentes recebessem os seguintes benefícios.
1. Consolo
(Cl 2.2)
O obreiro trabalha para que o coração dos cristãos seja "consolado". Os colossenses precisavam de conforto depois de passarem por certas dificuldades. Corações estavam perturbados, precisavam de encorajamento e fortalecimento espiritual. Os que trabalham na obra sempre necessitam desse apoio.
2. Comunhão
(Cl 2.2)
O segundo objetivo do obreiro: lutar pela união dos crentes – “vinculado juntamente em amor". A falsa doutrina causa divisões. Paulo sabia que a unidade da igreja em Colossos estava ameaçada pelo falso ensino O erro leva ao desentendimento e ao pecado; o amor se enfraquece e, com isso, a estabilidade da igreja sofre.
3. Convicção
(Cl 2.2-5)
O terceiro propósito do ministério cristão é levar à "convicção". O "mistério de Deus, Cristo" deve ser anunciado de maneira que os crentes O entendam e O compreendam: Quando falta discernimento espiritual, as pessoas facilmente se extraviam. A razão pela qual devemos compreender o "mistério de Deus, Cristo" é que Nele "todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos" (v.3). Assim, não há nenhum outro "mistério espiritual” que deva despertar o nosso interesse. Não há outro tesouro que possa ser atração aos nossos olhos. Nada fica escondido dos crentes, quando conhecem a Cristo (cf. IJo 5.20). Se os colossenses compreendessem a Cristo, não seriam enganados por "raciocínios falazes" (v.4), que nada mais são do que a linguagem persuasiva e enganosa, usada pelos inimigos de Cristo (cf. Rm 16.17-18).
Embora não conhecesse pessoalmente os crentes de Colossos, Paulo tinha informação acerca da boa ordem e da firmeza da fé que tinham em Cristo (v.5). Por isso se alegrava em espírito.
Colossenses para hoje - O discernimento nunca foi tão necessário como hoje. Devemos atender ao aviso do apóstolo João: "Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora" (1Jo 4.1).
Conclusão
Atitudes que devemos ter diante do texto estudado.
1ª - Agradecer a Deus o plano de reconciliação e a execução por meio de Jesus Cristo. Sem isso, ainda continuaríamos em inimizade para com Ele.
2ª - Lembrar, diante de Deus, aqueles que hoje exercem o "ministério da reconciliação", desvendando aos homens o mistério do evangelho da reconciliação de todo homem com Deus, em Cristo.
3ª - Pedir a Deus que a todos nós ajude no discernimento da Verdade, que é Cristo, capacitando-nos a distinguir o falso do verdadeiro, em todas as questões acerca da nossa fé.
Fonte: Revista Vida Cristã – Escola Bíblica – www.editoracristaevangelica.com.br