11.10.2020
Texto Básico: Daniel 6:1-28
Texto Devocional: Salmo 34:1-22
Texto Chave: Daniel 6:27: “Ele livra, e salva, e faz sinais e maravilhas no céu e na terra; foi ele quem livrou a Daniel do poder dos leões.”
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Numa só noite, acabou o grande império dos caldeus. Dario ou Ciro (parece certo que eram a mesma pessoa) passou a reinar sobre vastos territórios que se estendiam do norte da África até a Índia. Seria o instrumento de Deus para os judeus voltarem a Jerusalém e restaurarem ali o altar de Deus e o templo. Mais de um século e meio antes, Isaías havia profetizado: "Eu sou o Senhor, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra; ... que confirmo a palavra do meu servo e cumpro o conselho dos meus mensageiros; que digo de Jerusalém: Ela será habitada; e das cidades de Judá: Elas serão edificadas; e quanto às suas ruínas: Eu as levantarei... que digo de Ciro: Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que me apraz, que digo também de Jerusalém: Será edificada; e do templo: Será fundado" (Is 44.24-28). Ver também Isaías 45.1-4. Essa profecia se cumpriu sob as ordens do novo imperador e com as orações de Daniel.
Daniel, já em idade avançada, presenciou o fim do grande império babilônico e o início de outro, o medo-persa. Como tinha acontecido nos dias de Nabucodonosor, ele se encontrava de novo no centro do governo, e muito perto do rei. O novo imperador já não gozava mais do domínio absoluto que Nabucodonozor exercitara. Não era nenhuma "cabeça de ouro". O seu reino foi revelado como "o peito e os braços de prata", inferior ao reino anterior. Isso se evidencia na "lei dos medos e dos persas, que não se pode revogar” (Dn 6.8,12,15). Mesmo querendo, o rei não podia desfazer um decreto já promulgado. Até ele tinha que respeitá-lo.
l. A atuação do novo rei
Era urgente tratar da administração das terras recém-conquistadas, que se estendiam da Líbia, no ocidente, até a Índia, no oriente. Sem um controle bem organizado, haveria rebeliões e invasões. Os impostos e tributos não chegariam aos cofres reais.
1. Assim, "Pareceu bem a Dario constituir sobre o reino a cento e vinte sátrapas, que estivessem por todo o reino; e sobre eles, três presidentes, dos quais Daniel era um, aos quais estes sátrapas dessem conta, para que o rei não sofresse dano" (Dn 6.1-2).
2. Como Daniel se revelava pessoa de grande integridade e eficiência, o rei quis promovê-lo ainda mais. "O mesmo Daniel se distinguiu destes presidentes e sátrapas, porque nele havia um espírito excelente; e o rei pensava em estabelecê-lo sobre todo o reino" (Dn 6.3).
Daniel para hoje → Quer trabalhe na iniciativa privada ou na pública, sou totalmente confiável ao lidar com bens ou recursos alheios, os quais tenho que administrar? Daniel "era fiel". Como posso ser fiel onde trabalho?
II. A atuação dos invejosos
1. Os presidentes, os sátrapas e os demais líderes do reino eram motivados pela inveja. Sem dúvida queriam o status social que seria de Daniel, e é bem provável que cobiçassem os lucros desonestos que imaginavam que poderiam ter se tivessem o lugar dele. Seus métodos e motivos relembram as atitudes dos que queriam eliminar a Jesus. Até Pilatos sabia que, por inveja, o tinham entregado" (Mt 27.18).
2. Mesmo contra a própria vontade, reconheceram que não podiam achar em Daniel falta alguma; porque ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa" (Dn 6.4).
3. Aqueles que tinham inveja de Daniel manipularam o rei com muita astúcia.
a. Foram pedir uma audiência, enfatizando que todos estavam unidos no conselho que davam ao rei. Lemos que: "estes presidentes e sátrapas foram juntos ao rei e lhe disseram: O rei Dario, vive eternamente! Todos os presidentes do reino, os prefeitos e sátrapas, conselheiros e governadores concordaram em que o rei estabeleça um decreto e faça firme o interdito que todo homem que, por espaço de trinta dias, fizer petição a qualquer deus ou a qualquer homem e não a ti, ó rei, seja lançado na cova dos leões" (Dn 6.6-7).
b. O rei queria, acima de tudo, confirmar e fortalecer o novo reino. É possível que ele pensasse que a religião podia ser um instrumento válido para unir um conglomerado de raças e culturas tão diferentes entre si. Usaria a mesma estratégia de Nabucodonosor tantos anos antes. Assinou a nova lei. Daniel não desistiu de orar a seu Deus. e, portanto, foi lançado na cova dos leões. Não havia fornalha de fogo na corte persa para dar fim aos condenados, porque já seguiam a religião de Zoroastro, onde o fogo é sagrado e nunca seria usado dessa maneira.
Daniel para hoje → Infelizmente os fiéis agradam a Deus, mas desagradam os invejosos. Como você lida com os invejosos? A experiência de Daniel nos ensina que a fidelidade a Deus recebe a proteção de Deus. Siga o conselho de Jesus - seja prudente como a serpente e simples como a pomba (Mt 10.16).
III. A atuação de Daniel
1. Daniel trabalhava no seu alto cargo como tinha trabalhado na sua juventude. Era exímio profissional, de total integridade. O rei devia ter observado essas qualidades e queria aproveitá-las ainda mais.
2. Mantinha como antes a sua comunhão com Deus e a sua fidelidade a Ele. Não começou a orar só na hora da crise. "Quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa e, em cima, no seu quarto, onde havia janelas abertas do lado de Jerusalém, três vezes por dia, se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como costumava fazer" (Dn 6.10). Aplicava à vida espiritual a mesma boa administração e fidelidade que usava em todas as demais áreas da vida. Esse "costume" era a chave do bom testemunho na sua vida profissional.
Daniel para hoje → Que Daniel fez quando se viu ameaçado? Intensificou seus momentos de oração. Nos momentos de ameaça e crise, de onde vem o meu socorro (Sl 121 .1-2)?
Jesus ainda não havia dado Sua orientação sobre a oração particular (Mt 6.6; Jo 4.22-24). Nos dias de Daniel, Jerusalém era o lugar onde Deus havia mandado erigir o templo como "casa de oração". Embora o templo estivesse em ruínas, Daniel continuava a orai estendendo as mãos para o rumo desta casa" como Salomão disse ser necessário na sua oração dedicatória (2Cr 6.29; Jn 2.7). Quando a lei do país entrou em conflito com a lei de seu Deus, escolheu obedecer antes a Deus do que aos homens (At 5.29).
IV. A atuação de Deus
Daniel, em semelhança aos Jovens que foram para a fornalha de fogo, não podia ter certeza de sair vivo daquela cova, mas nem por isso parece ter demonstrado medo. O rei passou a noite em claro, muito preocupado com o destino de seu melhor administrador, mas ainda cogitando na possibilidade de um livramento por causa do "Deus vivo" a quem Daniel servia. A integridade de caráter e a firmeza espiritual de Daniel, mesmo com a ameaça de uma morte terrível, devem ter impressionado o rei, e ele ficou, no mínimo, curioso. "Como será esse Deus que inspira tanta fidelidade e tanta coragem?"
1. Ao romper do dia, o rei correu para a cova e gritou: "Daniel, servo do Deus vivo! Dar- se-ia o caso que o teu Deus, a quem tu continuamente serves, tenha podido livrar-te dos leões?" (Dn 6.20).
2. E lá da cova veio a resposta: "O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca dos leões, para que não me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; também contra ti, ó rei, não cometi delito algum" (Dn 6.22).
3. Imediatamente o rei deu outra ordem, e os acusadores de Daniel, com as suas famílias, foram lançados à cova e devorados pelos leões. Quanta corrupção foi assim removida do governo do império!
4. Um novo decreto foi baixado e revelava como o rei já começava a aprender algo da grandeza do Deus verdadeiro. Como Nabucodonosor, queria que todos soubessem desse grande Deus, tão atuante até no império dos medos e persas (Dn 6.26-27).
Daniel para hoje → O que o rei aprendeu
1. Antes de tudo, ele pôde constatar que o Deus de Daniel é realmente o Deus vivo, e que é poderoso. Controla até feras famintas.
2. Ficou sabendo também que é um Deus justo e fiel, cujo caráter se reflete na vida daqueles que O servem com fidelidade.
3. É um Deus que livra e salva, que não fica longe dos Seus fiéis seguidores.
V. A fornalha e a cova
Podemos fazer uma comparação entre os três amigos de Daniel na fornalha (Dn 3) e o episódio da cova dos leões (Dn 6).
1. Há semelhanças entre os dois incidentes
a. Tanto Nabucodonosor como Dario exigiram culto idolatra. Os dois queriam usar esse culto para unificar seu império.
b. Ambos fizeram decretos, aplicáveis a todos os seus súditos.
c. Nos dois casos, os judeus não se dobraram. Ficaram Heis j seu Deus, mesmo Junte da morte.
d. Todos os jovens e, mais tarde, Daniel, foram protegidos até no lugar onde a sua destruição parecia inevitável.
e. Após os acontecimentos, os dois imperadores mandaram proclamar novos decretos, que honravam o Deus dos judeus.
2. Há, porém, algumas diferenças
a. O rei da Babilônia, autoridade absoluta e despótica, queria ver o fogo destruir Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Estava furioso; temia que alguém se opusesse à sua vontade. Dario, ao contrário, ficou pesaroso quando percebeu como e por que fora enganado por seus conselheiros. Queria de qualquer jeito salvar Daniel, mas não podia.
b. Quando a realidade e à fidelidade do Deus de Daniel ficaram evidentes, e a falsidade dos seus acusadores se revelou, esses sofreram o mesmo destino que planejavam para Daniel. Vale notar que ninguém jogou Nabucodonosor na fornalha!
Daniel para hoje → Na época da Reforma Protestante (século 16), John Knox, o reformador escocês, declarou; "O que nos atrai na Reforma são os homens que Deus usou. Heroicos, grandes homens, homens de granito! Numa época de pigmeus como esta é bom ler a respeito de grandes homens. Foram grandes homens no intelecto, na lógica, no zelo, na coragem, francamente admiro homens que fazem uma rainha tremer*. Precisamos de mais pessoas que possam fazer um rei tremer!
Conclusão
Vamos destacar as verdades preciosas que esse acontecimento extraordinário ilustra.
1. Deve o crente trabalhar em ambientes corruptos? Há quem diga que o crente não deve trabalhar em profissões em que há corrupção. Acontece, porém, que onde há corrupção é necessário que haja sal. Não nos esqueçamos de que Vós sois o sal da terra” (Mt 5.13). Por isso mesmo, às vezes, somos colocados em ambientes que precisam ser saneados. Daniel não tinha como sair daquele ambiente apesar dos evidentes perigos.
2. Como manter um testemunho válido ao nosso Deus em ambientes corruptos ou hostis? O exemplo de Daniel é de muito valor. Apesar de exilado, longe do templo onde tanto queria adorar a Deus, nunca deixava de cultuá-Lo, sempre e sistematicamente. Era também profissional exemplar - "Ele era fiel, e não se achava nele nenhum erro nem culpa" (Dn 6.4,22). Veja o conselho apostólico sobre o mesmo tema: "tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens" (Cl 3.23).
3. Há um preço a pagar por ser fiel, haja vista alguns heróis da fé: "Pela fé eles lutaram contra nações inteiras e venceram. Fizeram o que era carreto e receberam o que Deus lhes havia prometido. Fecharam a boca de leões, apagaram incêndios terríveis e escaparam de serem mortos à espada... O mundo não era digno deles!" (Hb 11.33-38 NTLH).
4. Deus usa o testemunho de Seus servos fiéis para a Sua glória. Por meio da firmeza de Daniel, muitas nações e povos puderam conhecer o caráter e o poder do Altíssimo.
Fonte: Revista Vida Cristã – Escola Bíblica – www.editoracristaevangelica.com.br