22.01.2021
Texto Básico: Gálatas 5:16-21
Versículo Chave: Gálatas 5:16: “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfarei à concupiscência da carne.”
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Antes Paulo recomendou que o cristão não deve usar da "liberdade para dar ocasião à carne" (5.13). Com isso, ele já sinalizou a presença, em nós, de uma natureza carnal. No texto que ora estudamos, ele ensina como o cristão pode sair vitorioso de uma luta espiritual; a seguir enumera algumas obras da "carne” para que o crente as identifique e procure evitá-las.
l. O comando e o conflito
(Gl 5.16-18)
No interior do crente, estão duas forças que são opostas entre si: a natureza carnal e o Espírito Santo. Cabe-lhe, então, escolher quem terá o comando da sua vida: se o Espírito ou a carnalidade.
1. O comando
(Gl 5.16)
A recomendação do apóstolo Paulo é para o crente "andar no Espírito". Isso significa consentir que a vida inteira seja guiada pelo Espírito, permitindo que Ele assuma o controle, no curso de cada dia. Esse mesmo princípio foi transmitido aos Romanos: "revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e nada disponhais para a carne no tocante às suas concupiscências" (Rm 13.14). O crente deve deixar-se comandar pelo Espírito e não pelos desejos pecaminosos da "carne" - "a concupiscência da carne”- ou todos os maus impulsos e todos os apetites e disposições da alma que conduzem a má conduta. Os dois comportamentos são mutuamente exclusivos. Durante todo o tempo da nossa vida cristã, ou estamos andando no Espírito ou sendo controlados pela carne, mas nunca por ambos ao mesmo tempo.
2. O conflito
(Gl 5.17-18)
Todo crente deve estar consciente da existência desse conflito espiritual que se desenrola em seu interior: "a carne muita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne" (v.l7). São forças opostas entre si. A carne resiste ao controle do Espírito, e o Espírito, ao controle da carne "para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer". Á medida que aprendemos a andar no Espírito, mais subjugada fica a carne. Ninguém é condenado pelos maus impulsos que o possam inclinar para o mal, mas sim por consentir que eles dominem a sua vontade e se transformem em atos. A presença da "carne" em nós não deve causar-nos surpresa nem remorso. Antes, deve alertar-nos quanto ao perigo de sucumbirmos à sua influência.
A consciência da liberdade cristã também ajuda o crente na sua luta: “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei" (v.l8), nem sob a sua condenação, nem debaixo do seu domínio (cf. Rm 7.4-6). Isso significa que não será pensando na lei que deverá enfrentar a tentação (Rm 7.10-11). Antes, deve voltar-se para Cristo, a Quem pertence e em Quem lhe é dada a vitória.
Gálatas para hoje - Você, como cristão, não pode imaginar que, porque nasceu do Espírito, está livre do conflito. Os velhos apetites, as fraquezas e as tendências continuam presentes no seu coração. Se não se aperceber, estará em iminente perigo moral. Leia 1 Coríntios 10.12 e medite nisso: "Aquele, pois, que pensa estarem pé, veja que não caia.”
II. As obras da carne
(Gl 5.19-21)
Aqui estão enumeradas "as obras da carne". A palavra "obras", no plural, pode significar o excesso da devassidão produzida pela natureza carnal desenfreada. O apóstolo declara que são "conhecidas" ou facilmente notadas pelo senso natural do homem. A lista não é exaustiva; por isso ele a conclui dizendo: "e coisas semelhantes a estas" (v.2l).
Jesus deixa claro que o problema básico do homem não está fora dele, e sim dentro (Mc 7.20-23).
As obras mencionadas em Gálatas abrangem as seguintes áreas: sexo, religião, sociedade e alimentação.
1. Na área do sexo
(Gl 5.19)
a. Prostituição, tradução de porneia (cf. 1Ts 4.3) da qual se origina a nossa palavra pornografia. Refere-se a qualquer tipo de comportamento sexual ilícito ou imoralidade (cf. lCo 6.18), incluindo o adultério, a fornicação, o estupro e quaisquer desvios sexuais.
b. Impureza é a tradução de akatharsia. Era uma palavra usada na medicina para se referir a uma ferida infectada e purulenta. Aqui pode significar todo comportamento anormal ou impuro. A impureza impede a pessoa de aproximar-se Deus (2Co 7.1).
c. Lascívia, cujo sentido é licensiosidade ou indecência. Trata-se de um atrevido desprezo pelo decoro, até em público, ou de uma sensualidade exagerada. A palavra no original grego (aselgeia) é também traduzida por dissolução (cf. Rm 13.13; IPe 4.3).
2. Na área da religião
(Gl 5.20)
a. Idolatria é o culto prestado a outras divindades, representadas por toda a sorte de imagens. Esse é o principal pecado que gera a alienação do homem em relação a Deus, e a motivação para todos os demais pecados (cf. Rm 1.22-25).
b. Feitiçaria abrange as formas de magia, de bruxaria ou qualquer intercâmbio secreto com os poderes do mal. No grego, o termo é pharmakeia e faz alusão ao uso de drogas, venenosas ou não, usadas pelas feiticeiras e bruxas nos seus rituais. A lei mostrava-se bastante severa com os praticantes da feitiçaria (cf. Êx 18.10; Dt 18.9-12). Essa pratica era comum na Ásia, nos tempos de Paulo, razão por que ele a menciona e a inclui como uma das obras da carne (cf. At 19.13-19).
3. Na área social
(Gl 5.20-21)
a. Inimizades são as muitas modalidades de ódio contra Deus (cf. Rm 8.7) ou contra os homens (cf Ef 2.16). Essa emoção gera as hostilidades de toda a forma. E sendo o oposto do amor, não busca bem-estar do Próximo, mas o seu prejuízo ou a sua destruição.
b. Porfias são as contendas (l Co 3.3) ou as atitudes hostis que criam problemas inesperados entre as pessoas. Provocam dissensões e divisões. Essas atitudes podem ser caracterizadas por ambição, desatenção, escárnio ou desprezo.
c. Ciúmes, no grego é zelos, traduzida também por emulações (cf. Gl 5.20, ARC). O termo tinha sentido positivo, como zelo ou ardor. Mas, nesse caso, refère-se a um desejo intenso pela vantagem pessoal, com a desvalorização das realizações e qualidades dos outros.
d. Iras ou "pelejas" (na ARC) podem ser as explosões de raiva que criam sentimentos de hostilidade contra os semelhantes. O termo grego humoi era usado tanto em relação a Deus (cf. Ap 14.10) como em relação aos homens (cf. Lc 4.28). A diferença é que a "ira de Deus" é vindicativa, isto é, Deus cobra do pecador o seu pecado, por ser Ele justo; a ira do homem, porém, conduz à vingança.
e. Discórdias são formas de egoísmo que causam divisões. São provocadas pelas pessoas que possuem um espírito partidarista. Em Filipenses 2.3, a mesma palavra grega é traduzida por "partidarismo".
f. Dissensões são entendidas como as brigas entre irmãos, que ameaçam a unidade do corpo de Cristo. A palavra do original grego aparece também traduzida por "divisões" ou por "dissensões", provocadas por pessoas que serviam a si mesmas e não a Cristo Jesus (Rm 16.17-18).
g. Facções decorrem de ideias e ambições rivais, que exigem a formação de partidos ou divisões. A palavra no original grego é aireseis, cuja tradução literal é "heresia" (cf. Gl 5.20, ARC). Mas nesse contexto indica o "espírito faccioso" do homem que está pronto para causar a divisão de um grupo de pessoas.
h. Invejas são as várias modalidades de desejos com relação ao que outras pessoas são ou possuem. Foi por inveja que os adversários do Senhor Jesus O entregaram a Pilatos (Mt 27.18; Mc 15.10). O apóstolo Pedro aconselha os crentes a se despirem das invejas, para que lhes "seja dado crescimento para salvação" (IPe 2.1-2).
4. Na área da alimentação
a. Bebedices são o uso excessivo de bebidas alcoólicas ou as bebedeiras, extremamente prejudiciais ao corpo e ao espírito. Além disso, o alcoolismo leva a pessoa a diversos outros vícios, porque remove as inibições naturais, deixando-a livre para as práticas degradantes, entre as quais os vários excessos de ordem sexual.
b. Glutonarias pode ser uma referência às orgias promovidas nos cultos pagãos, em que os participantes perdiam o domínio próprio, como nas farras de hoje. Nos cultos a Dionísio (Baco, nome romano do deus grego), ocorriam excessos sexuais com bebedeira e glutonaria. E os que tais coisas praticavam racionalizavam, com a desculpa de que tinham a liberdade de participar de tais festividades. Será que é dado ao crente o direito de fazer o que bem entende, como participar de festividades religiosas dedicadas aos "santos"?
Gálatas para hoje - É totalmente incompatível a prática dessas obras da carne com uma vida regenerada. Se houve uma conversão genuína e uma consequente transformação moral, então tais vícios serão abandonados.
O crente só consegue evitar tais obras da carne se “andar no Espírito”. Caso contrário, qualquer desses pecados pode vir a manifestar-se em sua vida e conduta. Por isso, Paulo repetiu aos gálatas o aviso que já lhes havia feito, provavelmente quando esteve entre eles (v.21, cf. ICo 6.9-11). Certamente, naquele tempo, descreveu-lhes os vícios e os seus resultados inevitáveis.
E totalmente incompatível a prática dessas obras da carne com uma vida regenerada. Se houve uma conversão genuína e uma consequente transformação moral, então tais vícios serão abandonados.
Conclusão
O verdadeiro crente faz a opção de ser guiado pelo Espírito, em vez de ser dominado pelas obras da carne. Não significa que ele não peque, mas sua vida não é constantemente caracterizada por tais vícios. E, se pecar, sente-se extremamente infeliz, enquanto não confessa o seu pecado e acha o perdão nos méritos de Cristo (1Jo 1:7-2.2).
Fonte: Revista Vida Cristã – Escola Bíblica – www.editoracristaevangelica.com.br